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Lembranças involuntárias

14 de abril de 2017

Imagem colada de destinosinvisiveis.wordpress.com
(no slideshow).

Vejo a mim mesmo numa beira de estrada, observando do alto para baixo (da mata para o concreto). Trata-se de onde me encontro em dado momento, não sei ao certo mas no alto da serra. Isso ao mesmo tempo em que na casa de cima, como de costume, observo através de uma das janelas embaçadas da sala a silhueta das montanhas que nos rodeiam.

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Resumo da ópera

24 de março de 2017

Charge: Mario Alberto. Imagem colada de
Entre tantas histórias: O cotidiando nas caravelas portuguesas
(Obs.: Recomendo a leitura. Belíssimo texto.)

Um juizeco de primeira instância e com voz de marreco exposto em fotos na alegre companhia de tucanos exaustivamente citados na lava-jato. E ninguém faz nada.

A grande imprensa recebe e divulga, seletivamente, as denúncias premiadas. Quem precisa de provas? Bastam convicções. Enquanto isso, o país quebra e famílias minguam à própria sorte. Fazer o que?

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Carta aberta aos patos

21 de março de 2017

Foto (recortada): Harry's Place

Começo por uma muralha monumental, que já existe há muito tempo e não separa mais nada de ninguém. Deveria ter ficado para trás no tempo mas não, de vez que sobrou para os chineses de agora (e para fins turísticos). Muros existem para separar, assim como foi com aquele que dividiu a Alemanha em duas e depois caiu. Mas eles não caem nem se constroem sozinhos.

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Meu pequeno maltês

14 de março de 2017

Foto: fofuxo.com

Aos meus pés ele reina. É o verdadeiro dono da casa porque sabe que somos úteis e usáveis. Fiel aos que lhe pertencem o pequeno determina, sempre de acordo com seu livre arbítrio, nada fazer e dormir ou convidar para brincar.

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Gut riechen

10 de março de 2017

Estranho, isso de me recordar de algo tão distante. Lembro de ter conhecido uma Alemanha pós-guerra completamente limpa depois de reconstruída. Me vejo na cidade de Hamburgo, num hotel chamado Quatro Estações (Vier Jahreszeiten Hamburg). Até o cheiro é limpo.

Já foi assim antes, quando embarcamos no cargueiro misto Cap Vilano, da Hamburg Süd. Da janela da cabine eu observava o cais da cidade do Rio maltratado e a exploração dos estivadores maltrapilhos. Já o desembarque no porto de Hamburgo foi bem o contrário, outro cenário. Me faz pensar agora que fomos nós, brasileiros, que perdemos a guerra.

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Ouro

6 de março de 2017

Diz uma certa lenda que os habitantes de um vilarejo de cujo nome sequer me lembro ficaram ricos, muito ricos. Encontraram nos subterrâneos dos seus modestos casebres um tesouro imensurável de moedas de ouro outrora pertencentes a um antigo e falecido senhor feudal. (Vale dizer que, após o passamento do ilustre, a própria região ficou muito perto de sucumbir à própria sorte e futuro algum.)

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Para enfrentar os amanhãs

3 de fevereiro de 2017

Foto: Salvia Extract

Existem lugares que jamais conheceríamos, não fosse a nossa preguiçosa memória que a eles nos remete enquanto dormimos. Lugares onde o sol pode ser tão negro e novo quanto a lua nova.

Assim é como um simples travesseiro se torna tão cúmplice de nossos crimes secretos, por menos hediondos que sejam (ou nos tornemos). Monstros não existem fora de nossos sonhos e nas brincadeiras de mocinho e bandido. E quase sempre, desde crianças, preferimos ser bandidos e do mal.

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Por que os aviões caem?

5 de janeiro de 2017

Temos tantos lugares de onde cair – e tantas quedas diferentes. Algumas ferem ou matam. Outras apenas deprimem, frustram, decepcionam, enfraquecem – imagino que talvez estas sejam as piores, por serem capazes de procriar sequências de múltiplas quedas e arrebentar com a vida das pessoas.

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Um desConto de Natal

14 de dezembro de 2016

De fato, me resta pouco tempo (se é que tempo pode restar). Mas é pouco para o tanto que eu gostaria de falar.

Tive uma infância deletada por uma miopia. Por conta disso, cresci míope e burro. E tive uma aborrecência desconstruída por obrigações. Usar o Dodge Dart, a lancha no Iate Clube Brasileiro, levar os cachorrinhos para desfilar e ganhar seus prêmios no Clube Naval.

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A vida que anda para trás

23 de novembro de 2016

Isso mesmo. O sujeito percebeu quando tentou desistir do arrependimento ao reconhecer que ela era linda demais. Esnobar foi feio e melhor seria voltar para trás. Mas como se faz isso? Como voltar no tempo?

Por incrível que pareça, viajar no tempo é possível. Ao menos aqui, neste texto que é meu e para quem sabe que existe memória. O futuro não tem como prever, enquanto o passado se mede a perder de vista. Foi desse jeito que o rapaz embarcou em sua máquina do tempo para trás, tentando recuperar um amor que algum dia (vai que) pudesse voltar a existir.

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