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publicada no site do jornal O Globo dá conta de que Steve Jobs defende que se cobre pelo conteúdo editorial online. E ele pega pesado, sugerindo que isso seja feito colocando-se preços agressivos (quer dizer, baixos) e buscando volume.
Jobs faz coro ao empresário Rupert Murdoch, dono do Wall Street Journal – que já cobra por seu conteúdo online. Mas os próprios repórteres do Journal rebatem que a Apple pratica justamente o contrário, cobrando bem mais caro por seus produtos do que seus concorrentes. Ao que Jobs responde argumentando que sua empresa tem apenas um "sucesso atenuado".
Claro que cada um pode pensar e achar o que quiser. E as pessoas podem concordar ou discordar e julgar conforme suas próprias convicções. Mas o diretor executivo da Apple seria mais feliz em suas declarações se argumentasse que esse "sucesso atenuado", que lhe permite cobrar mais caro pelo que vende, se deve fundamentalmente ao fato de a empresa sempre focar na qualidade dos produtos que oferece ao mercado. Isso sem falar no fato de que ele tem um reconhecido dom de conviver com o sucesso – algo que deve ser creditado menos ao acaso e mais à sua habilidade empreendedora. De fato, a fórmula do sucesso é algo tão complexo e variável que não recomenda nenhum livro de autoajuda.
A qualidade é um bom quesito para que esse negócio de conteúdo pago dê certo
No caso da informação, a qualidade tem muito a ver com a credibilidade de quem a vende e a credulidade de quem a compra. Cabe também uma boa análise da potencialidade de mercado para cada tipo de publicação. Um jornal focado em finanças, por exemplo, tem boa chance de alavancar venda de conteúdo na internet, considerando-se o poder aquisitivo do seu público.
Por outro lado, erra feio quem julga a internet apenas como mais um meio informativo. Ela nos fez experimentar novidades antes impensáveis nos meios tradicionais de comunicação. Exceto pela TV aberta, quem poderia se imaginar ganhando dinheiro por oferecer serviços gratuitos? Pois é o que mais se tem na grande rede.
O Google soube extrapolar a fórmula da TV aberta sem se manter exclusivamente por meio da venda de espaço para anunciantes. A gratuidade de serviços permite uma visibilidade que dinheiro algum pode comprar. Com isso, a empresa também vende serviços para corporações e mantém um formidável banco de dados estatísticos capaz de atender a qualquer demanda estratégica de mercado.
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