Internet de ninguém

12 de maio de 2010

Empty business card

No território livre da internet cabe todo tipo de conteúdo. Grandes empresas investem pesado para terem seu espaço na mesma mídia onde proliferam sites pornográficos e pirataria. Já em 2006, o senador Eduardo Azeredo (PSDB) afirmava ser ela um território sem lei , propondo que se controle o acesso à web e se regulamente os crimes online.

Besteira. Na prática, esse tipo de controle já existe e a Polícia Federal faz uso dele – rastreamento do IP do usuário para combater práticas criminosas de pedofilia entre outras. De fato, o cibercrime inclui práticas que contrariam outros interesses que nada tem a ver com a exploração sexual de menores – a principal delas, a pirataria configurada pela cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos autorais. Isso sem falar nos crackers, programadores maliciosos que violam ilegalmente sistemas cibernéticos prejudicando pessoas, empresas e organizações governamentais.

O fato é que todas as práticas classificadas como ilegais na internet já são combatidas. As limitações que dificultam as investigações são as mesmas que já existem no mundo real. Se é fato que o advento da internet incrementou em muito certas práticas ilegais, isso apenas reflete a potencialidade dessa nova mídia – para o bem e para o mal. Não é por falta de leis que os crimes proliferam pelas ruas.

Devemos antes refletir sobre os critérios adotados no combate aos criminosos, pois a realidade deixa claramente à mostra que a vontade política se arrefece na mesma medida em que se fortalece a posição social do criminoso – banqueiros e políticos tem extrema facilidade de dissimulação, digamos assim. Por outro lado, a ferocidade do lobby das gravadoras americanas no combate à disseminação de arquivos mp3 na internet chega a ser constrangedora num país tão liberal com o porte de armas.

Vem dos Estados Unidos o verbo share, atualmente tão empregado no ciberespaço. Os sites de compartilhamento de arquivos online se tornaram mais comuns do que a prática de se emprestar livros a colegas de escola. E dimensionar os prejuízos das gravadoras carece de qualquer precisão quando se sabe que o compartilhamento de músicas age como uma forma de disseminação e divulgação, propaganda gratuita que leva muitos a adquirir cópias legais.

Polêmicas à parte (a humanidade não vive sem controvérsias), sugiro que se conheça a página Pirate Coelho , onde o escritor Paulo Coelho disponibiliza obras suas em diferentes línguas para download. E para concluir, recomendo a leitura do ótimo texto de Leonardo Foletto abordando esse tema dos direitos autorais.

Tags: , , , ,

Envie seu comentário