Eita!

11 de agosto de 2019

Foto: Columbia Spectator

O cenário, claro, era de terra arrasada. Acho que acordei de um pesadelo daqueles beeem pesados. Não vi pedra sobre pedra. Não lembro mais meu nome, não sinto medo, amor, ódio. Apenas fome. Sede não, pois vejo poças fétidas. Mas ainda líquidas. Decidi sair.

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Sair? Desnecessário. Não haviam mais portas. Sequer paredes, janelas, telhados. Caminhei rebuscando alguma memória que fosse, relembrando palavras como parentes, amigos, vizinhos. Nada. Apenas aquele zumbido intermitente que eu bem sabia, zumbia. E zumbindo fui.

Caminhei e lembrei que precisava de dinheiro. Lembrei do banco. Mas não qual direção. Segui sem rumo e me deparei com pessoas aparentemente abastadas, sentadas em mesas do que parecia um bar. Apenas fingiam beber. Os copos e as garrafas estavam vazios. Não haviam garçons, guardanapos, um palito que fosse. Ao que me pareceu, parecia que conversavam. De vez que não tinham qualquer assunto, opinião.

E de algum lugar a lugar nenhum, percebi que estava perdido. E isso pareceu ser bom. Ótimo, fazia sentido! Faltava apenas saber de onde me perdi, se perdi alguém, se eu tinha alguém. E quando ou onde. Mas foi bom ter visto aquelas pessoas fingindo que estavam bebendo e conversando. Ao menos certeza eu tinha de não ser um fingimento.

Ou era. Pesadelo que segue e se vai, aquela coisa não tinha fim. Mas tinha sim. Havia um sinal vermelho, o tal do pare. Que reveza com o verde, o do siga.

Sim, eita!


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