Samanguaiá

28 de julho de 2019

Foto: Lobster From Maine

Contando histórias, claro. Meu pai trabalhava com comércio exterior. E lá chegávamos. Ele com o estrangeiro, o Carlinhos e mais eu.

Carlinhos, também conhecido por Santana, era um fiel escudeiro (querido e da mais absoluta confiança). Na ocasião, figurava de motorista.

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(Aviso: vou exagerar nos 'íssimos'.)

O Samanguaiá era um restaurante tipo gourmet. Caríssimo e pouquíssimo frequentado. Também era hotel. De frente para o belíssimo visual da Baía da Guanabara, Pão de Açúcar e por ai vai.

Assim chegando, ele nos recomendou em português carregado com sotaque de alemão (que o estrangeiro jamais reconheceria), que fizéssemos tudo o que ele fizesse.

(Estou abusando dos meus piores inimigos, os verbos.)

Pois bem. A intenção do meu pai era impressionar. Só não sabíamos disso. À mesa, aprendi que o copinho não era para beber. Era para limpar os dedinhos.

O cardápio foi dispensado. Ele pediu lagostas. Ao Termidor. Uma para cada um. Verdade seja dita, não entendi nem aqueles talheres esquisitos, meio que alicates.

Lembrei da dica (fazer como ele fizesse). Gostoso aquilo, até entendi porque era tão caro. Mas muita conversa em inglês depois, veio a conta. O Carlinhos subiu até o carro e voltou com uma mala (dessas de executivo, com segredo) que, aberta pelo meu pai, continha só dinheiro. Muuuito dinheiro.

Ele pagou a conta com dinheiro vivo. Depois eu entendi (ou me foi esclarecido). O que meu pai fez foi mostrar que não seria subornado nem comprado. O estrangeiro foi levado ao aeroporto, em táxi pago.

Sim, saudades do meu pai.


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